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Vamos lembrar alguns exemplos de difeomorfismos parcialmente hiperbólicos em dimensão 3.
f:M→M é parcialmente hiperbólico (poinwise) se existir uma decomposição Df−invariante de TM=Es⊕Ec⊕Eu e n>0tal que para todo x∈M,v∗∈E∗(x),∗∈{s,c,u} ‖Dfnvs‖<1<‖Dfnvu‖&‖Dfnvs‖<‖Dfnvc‖<‖Dfnvu‖
Existe uma outra definicão, chamado de parcialmente hiperberbólico absoluto. Na definição de parcialmente hiperbólico absoluto, os vetores vs∈Es(x),vc∈Ec(y),vu∈Eu(z) para três pontos arbitrários x,y,z∈M.
Exemplo 1
Skew produtos:
Seja A:N→N um difeomorfismo de Anosov e G um grupo de Lie compacto, seja θ:N→G uma função diferenciável e definimos Aθ(p,g)=(A(p),θ(p)g). Este é um exemplo de Skew produto parcialmente hiperbólico (exemplo algébrico).
Os exemplos Aθ(p,g)=(A(p),θ(p)+g) onde p∈T2,g∈S1 são parcialmente hiperbólicos em T3 que é um fibrado sobre T2. Observe que este fibrado é trivial. T3=T2×S1 é um fibrado orientável.
Existem exemplos de difeomorfismos parcialmente hiperbólicos em 3−variedades que são fibrados não orientável.
Considere A∈SL(2,Z) tal que A(0,1/2)=(0,1/2) mod−Z. Seja θ:T2→R tal que θ(x,y+1/2)=−θ(x,y). (*) Definimos Aθ(x,y,z)=(A(x,y),z+θ(x,y)). Até aqui podemos falar que Aθ:T3→T3 é um parcialmente hiperbólico definido num fibrado trivial e orientável.
Agora vamos transformar nosso espaço ambiente um pouco mais complicado de tal forma que ainda seja fibrado porém não orientável. Considere a simetria ϕ(x,y,z)=(x,y+1/2,−z). Observe que ϕ2=Id e não tem ponto fixo. Então usando teoria de variedade básica, podemos concluir que T3/ϕ é uma variedade diferenciável. Lembrem que T3/ϕ representa o espaço quociente quando consideramo relação de equivalência (x,y,z)∼ϕ(x,y,z).
Agora vamos projetar o difeomorfismo Aθ na variedade T3/ϕ. Observe que se verificarmos que Aθ∘ϕ=ϕ∘Aθ concluiremos que Aθ pode ser definida como um difeomorfismo de T3/ϕ. (exercício: Aθ preserva classes de equivalência e portanto induz difeomorfismo no espaço quociente.)
De fato Aθ∘ϕ(x,y,z)=Aθ(x,y+1/2,−z)=(A(x,y)+A(0,1/2),θ(x,y+1/2,−z)) =ϕ∘Aθ(x,y,z)+(A(0,1/2)−(0,1/2),0)=ϕ∘Aθ(x,y,z) Finalmente observamos que T3/ϕ é um fibrado não orientável.Observe que novamente o fibrado é sobre T2=R2Z⊕1/2Z.
Exemplo 2
Um difeomorfismo parcialmente hiperbólico numa variedade de Seifert com 4 folhas singulares.
Seja ϕ:T2→R tal que ϕ∘(−Id)=ϕ e A:T2→T2 um difeomorfismo de Anosov. novamente definimos Aϕ(p,t)=(A(p),t+ϕ(p). Isto é um difemorfismo parcialmente hiperbólico em T3. Vamos complicar o ambiente novamente: Considere a simetria S(p,t)=(−p,t+1/2). Observe que p∈T2. Pela propriedade (**) e fazendo conta observamos que Aϕ(S(p,t))=S(Aϕ(p,t)) vamos para (p,t)∈T2×S1. Portanto novamente induziremos um difeomorfismo parcialmente hiperbólico em T3/S.
Neste exemplo a riqueza está na topologia da variedade M:=T3/S. Os pontos (0,0),(0,1/2),(1/2,0),(1/2,1/2) são pontos fixos de −Id. Observe que M mesmo localmente ao redor de 4 pontos (0,0,0),(0,1/2,0),(1/2,0,0),(1/2,1/2,0) não é trivial (folhas singulares de fibração Seifert). Por exemplo próximo (0,0,0) temos que (ϵ,ϵ,1/2)∼(−ϵ,−ϵ,0) e portanto perto da folha central passando por (0,0,0) que é um círculo, as folhas centrais “dão duas vezes volta”.
Podemos observar também que se apenas considerarmos o espaço quociente de T2 pela relação de equivalência p∼−p obteremos esfera topologicamente.
Exemplo 3
Fluxo geodésico: Considere Σ uma superfície compacta com curvatura negativa e seja M=T1Σ o fibrado unitário {(x,v):x∈Σ,v∈TxΣ,‖v‖=1}. Então é conhecido que o fluxo geodésico é um fluxo de Anosov e portanto f:=ϕ1 (o tempo um do fluxo) é um difeomorfismo parcialmente hiperbólico. É fácil ver que f é homotópico a identidade apenas considerando o caminho gt:=ϕt. Claro que g0=Id não é parcialmente hiperbólico. Portanto este é um exemplo de difeomorfismo parcialmente hiperbólico que é homotópico a identidade.
O fibrado unitário é um fibrado de Seifert (é um fibrado por círculos sobre superfície Σ.) Todo difeomorfismo g, C1 próximo de ϕt0 (t0 fixo) também é um difeomorfismo parcialmente hiperbólico que também será homotópico a identidade. Observe que g não é necessariamente tempo fixo do fluxo de Anosov. Porém podemos mostrar que existe um fluxo de Anosov topologico e τ:M→(0,∞) tal que g(x)=ϕτ(x)(x). Este tipo de difeomorfismos é chamado fluxo Anosov discretizado.
Não está claro para quais funções τ podemos afirmar que ϕτ é parcialmente hiperbólico. Claro que precisamos de alguma exigência. Por exemplo τ não pode anular.
Portanto exemplos 2, 3 mostram que numa variedade de Seifert podemos ter parcialmente hiperbólicos homotópicos a identidade ou não.
Porém o teorema de Barthelmé-Fenley-Frankel-Potrie mostra:
Teorema: Seja f:M3→M3 um difeomorfismo parcialmente hiperbólico dinâmicamente coerente numa variedade fechada de Seifert. Se f é homotópico a identidade então algum iterado de f é discretized Anosov flow. outro teorema dos mesmos autores:
Teorema: Seja f:M3→M3 um difeomorfismo parcialmente hiperbólico dinâmicamente coerente numa variedade hiperbólica. Então algum iterado de f é discretized Anosov flow.
Observamos que pelo Teorema de Rigidez de Mostow (link) se f é um homeomorfismo de uma variedade hiperbólica então f é homotópico a uma isometria E. Agora observe que se E é uma isometria de M compacta, então para algum N suficientemente grande EN é próximo a identidade (basta considerar a sequência En,n=1,2,⋯ que tem ponto de accumulação e d(En,Em)=d(Id,Em−n)) e portanto Em−n e consequentemente fm−n é homotópico a identidade.
O exemplo abaixo mostra que no teorema em caso das variedades de Seifert, realmente precisamos tomar um iterado da f. Existem exemplos homotópicos a identidade que não são discretização de fluxo de Anosov (porém todos estes exemplos estão dentro de uma classe maior Collapse Anosov flows……)
Exemplo 4
Seja Σ uma superfície hiperbólica e gt:T1Σ→T1Σ fluxo geodésico (que sabemos ser Anosov). Agora considere M uma cobertura k−ramificada de T1Σ, isto é π:M→T1Σ um recobrimento com k−pré imagem para cada ponto de T1Σ e este recobrimento k−ramificado é de fato corresponde a cobertura k−ramificado de círculo unitário dentro de espaço tangente de cada ponto em Σ. Seja S:M→M a transformação de órdem k, i.e Sk=Id correspondente a rotação de 2π e gtM levantamento do fluxo gt em M. Então f=g1M∘S é pacialmente hiperbólico, homotópico a identidade e não fixa folhas centrais, porém fk é uma discretização de fluxo de Anosov.
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